Uma guerra fria na vizinhança: Quem tem a grama mais verde afinal?

Logo depois do fim da segunda guerra mundial até mais ou menos o inicio da década de 90*, a União Soviética e os Estados Unidos ( e alguns aliados ) mantiveram uma tensão geopolítica, que trazia um sensação de que a qualquer momento uma nova guerra mundial seria travada.
Este período tenso foi chamado de Guerra Fria, onde competições esportivas, evolução tecnológica, espionagem e intrigas eram os campos de batalha.
Outro dia, pensando na vida, vi similaridades com a vida laboral e em comunidades de atualmente, todos os dias, muitos homens e mulheres travam um guerra no ambiente de trabalho e com seus vizinhos de rua, e mal sabem eles que são vítimas dos próprios ataques.

Ao chegar em casa Raimundo estaciona seu recém comprado SEDAN 2020/2021, e ainda sentado no banco de couro, admira seu bebê…

O carro é espetacular, estável, seguro, com inúmeras funcionalidades e LINDO, bem chamativo mesmo.

Pensou:
As parcelas estão meio pesadas, mas valeu a pena, a gente quase não usava o plano mesmo e a viagem para visitar os pais no Nordeste pode ficar para o ano que vem…

Depois de se consolar, sorriu ao ver a tela de 12 polegadas do media center do carro e seu pensamento transbordou felicidade, desembarcou.

Ao olhar para o quintal do vizinho viu o que não gostaria, entrando na garagem uma enorme caminhonete preta, conhecia o modelo, tinha acabado de ser lançada. um minuto depois Osmar, seu vizinho o cumprimentou com um tchauzinho e um sorriso irônico, quase que uma afronta.

A felicidade de Raimundo com seu “Bebê” desapareceu, esqueceu do carro novo, bateu a porta ao entrar e bradou silenciosamente: “Não vai ficar assim!”.

No outro dia Raimundo foi a concessionária, a viagem para sua terra natal iria demorar mais um pouco.

O consumo desenfreado, a vida como espetáculo transforma vizinhos, amigos e colegas de trabalho em soldados da guerra da ostentação, como disse no post anterior, queremos ser importantes, aceitos, mas para algumas pessoas o caminho mais óbvio para isso é a imposição, seja ela material, virtual ou mesmo de experiências.
Morando na baixada fluminense, já tive a oportunidade de ver vários níveis de toxicidade pela ostentação, conheço gente com carro da Honda do ano anterior e casa sem reboco, e já vi uma pessoa se endividando para tomar uma bebida – que nem gostava tanto – só para impressionar.
Como escapamos disso? Por que esse fingimento permanece e ainda engana os desavisados?
O discurso ostentação de escritório, do bar ou do salão de beleza, coloca o ouvinte ingênuo para baixo, ele tenta entender porque a vida dele é pobre e sem graça, quando o ingênuo olha o Instagram também, ele idealiza uma imagem estática e esquece que algumas pessoas vivem de aparência, para estimular seu consumo, e que outras só mentem para se sentirem mais bem sucedidas, em casos mais extremos ainda ( alô baixada fluminense!), existem as pessoas que cometem crimes.

A “grama do vizinho” até pode ser mais verde, mas nem sempre isso quer dizer que ele é mais feliz que você, a sua felicidade depende da sua vida e não é medida pela vida dos outros, no filme “Clube da Luta”, Tyler Durden diz que:
Trabalhamos em empregos que odiamos para comprar porcarias que não precisamos

No meu caso, a frase não é totalmente verdade, pois adoro o meu emprego, mas ainda assim, na minha vida já comprei coisas para ser melhor aceito, e levando em conta que agora vejo o dinheiro que ganho trabalhando como energia/tempo de vida, troquei um tempo preciosíssimo, impossível de ser adquirido por futilidades, e isso é triste.
Assim como no post anterior, o segredo é se conhecer, saber seus gostos verdadeiros e seus limites, se você não sabe o que gosta e não entende seus limites você se torna presa fácil para ostentadores ( parece até nome de encosto ) e para a publicidade cada vez mais predatória, quando for ver se tornar um Raimundo, indo mais uma vez aumentar suas dívidas para ter o carro mais caro da calçada.

Você já fez alguma compra apenas para ostentar?
Conhece alguma história absurda sobre ostentação?
Conta para mim.


Um comentário em “Uma guerra fria na vizinhança: Quem tem a grama mais verde afinal?”

  1. “Trabalhamos em empregos que odiamos para comprar porcarias que não precisamos” – Infelizmente para mim a frase é totalmente verdadeira, apesar de não fazer a parte final dela !
    Abcs

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